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09.09.2026
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Artigo

Ações trabalhistas crescem em 2026 e acendem novos pontos de atenção

Os números mais recentes da Justiça do Trabalho mostram uma nova alta do contencioso. Entre janeiro e maio de 2026, cerca de 2,1 milhões de novos processos ingressaram na Justiça especializada, volume aproximadamente 5,75% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Até o fim de maio, mais de 5 milhões de processos permaneciam pendentes de julgamento.

O crescimento chama atenção não apenas pelo volume, mas pelos assuntos que continuam levando trabalhadores e empresas ao Judiciário. Um levantamento recente da Predictus citado pelo JOTA, que analisou 727.414 processos ajuizados entre janeiro e abril deste ano, aponta horas extras, verbas rescisórias e adicional de insalubridade entre os temas de maior recorrência. Também aparecem com frequência pedidos envolvendo adicional de periculosidade, dano moral, FGTS, intervalo intrajornada, reconhecimento de vínculo e aviso prévio.

São questões conhecidas da rotina das relações de trabalho, o que torna os dados especialmente relevantes do ponto de vista preventivo. Controle de jornada, política de horas extras, concessão de intervalos, pagamento de adicionais, procedimentos de desligamento e documentação das relações de trabalho permanecem entre os pontos que podem gerar exposição quando existe diferença entre a prática adotada pela empresa, seus registros e as obrigações aplicáveis.

Outro dado que merece atenção é o número de processos envolvendo rescisão indireta. Foram identificadas 78.048 ações em que empregados pediram o encerramento do contrato sob a alegação de falta grave do empregador. Esse tipo de demanda pode refletir conflitos surgidos durante a relação de trabalho e reforça a importância de mecanismos internos capazes de identificar problemas, tratar reclamações e registrar adequadamente as providências adotadas.

As discussões relacionadas ao ambiente de trabalho também ocupam espaço relevante, com registro de 149.943 processos envolvendo pedidos de indenização por dano moral, apenas no primeiro semestre, além de 24.183 ações relacionadas a assédio moral, 22.761 a doenças ocupacionais e 19.067 a acidentes de trabalho. O movimento ganha ainda mais importância diante da atenção crescente aos riscos psicossociais e às obrigações relacionadas à saúde e segurança no trabalho.

O TRT da 2ª Região, de São Paulo, recebeu 410.649 novos processos no período analisado pelo painel do CNJ, enquanto o TRT da 15ª Região, de Campinas, registrou 277.916, os dois maiores volumes entre os Tribunais Regionais do Trabalho. Outro recorte citado no levantamento aponta que o estado concentra 31,4% dos processos analisados pela Predictus.

Nos três primeiros meses do ano, o passivo financeiro declarado nas ações analisadas alcançou R$ 107,9 bilhões, enquanto a mediana dos valores atribuídos às causas passou de R$ 49.140 em janeiro para R$ 53.229 em março. Embora esses montantes não correspondam necessariamente aos valores que serão reconhecidos ao final dos processos, ajudam a dimensionar a exposição financeira envolvida no contencioso trabalhista.

Os dados reforçam questões importantes para as empresas, uma vez que parte significativa da litigiosidade continua concentrada em temas bastante conhecidos, que devem estar na rotina da gestão de pessoas.

Ao mesmo tempo, novas questões ligadas ao ambiente organizacional, à saúde mental e aos riscos psicossociais ganham espaço. Acompanhar os padrões das reclamações trabalhistas, revisar procedimentos internos, gerenciar a cessação dos contratos de trabalho e identificar as causas mais recorrentes dos próprios processos são medidas que podem ajudar a transformar o contencioso em informação qualitativa para a prevenção.  Vale dizer, conhecer a realidade antes que os mesmos problemas voltem a chegar ao Judiciário.

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